Resenha | Na Hora da Virada

18 de jun. de 2020

Oi Perdidos,

O Ódio que Você Semeia, livro de estréia da americana Angie Thomas, venceu as categorias Estreia de Autor e Jovem Adulto do Goodreads Choice Awards 2017. No ano seguinte, foi escolhido o Melhor dos Melhores na mesma premiação. Eu gostei tanto de O Ódio que Você Semeia que fiquei com medo de ler o novo livro da autora e me decepcionar.

Na Hora da Virada
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Autora: Angie Thomas
Tradutora: Regiane Winarski
Editora: Galera Record
Gênero: Drama, Romance, Jovem Adulto
ISBN: 9788501117045 Skoob
Páginas: 378
Ano: 2019
Classificação:

Em Na Hora da Virada, a autora negra (own voices) nos faz mergulhar na cultura do hip-hop americano. Bri é uma jovem de 16 anos que sonha em ser a maior rapper de todos os tempos. Ela é filha de uma lenda do hip-hop que foi morto por um Crown. Os Crowns fazem parte da gangue dos King Lords. Você se lembra deles? Então, a história se passa em Garden Heights, logo após os acontecimentos de O Ódio que Você Semeia.

Foi nessa ocasião que eu aprendi que, quando as pessoas morrem, elas às vezes levam os vivos juntos.

Depois da morte do pai, a mãe se viciou em drogas e ela deixou Bri e o irmão mais velho, Trey, morando com os avós para tentar se tratar. Jay conseguiu a guarda dos filhos novamente há cinco anos, mas a vida não é fácil para uma ex-viciada. Bri espera fazer sucesso e conseguir ajudar a família, mas uma música que ela lançou na internet acaba viralizando pelos motivos errados e ela acaba sendo vista como uma marginal do gueto e uma ameaça social. Agora, Bri precisa de todo o seu flow para virar o jogo.

Ter que fazer é uma responsabilidade. Querer fazer é amor.

O que eu gosto na narrativa da Angie Thomas é que ela consegue misturar de forma coesa temas polêmicos com assuntos mais leves, como a amizade e o amor juvenil. Além da Bri estar descobrindo o amor, tem o romance virtual de Sonny com um outro rapaz. Apesar disso, a autora não levanta bandeiras, apenas narra uma história poderosa sobre uma protagonista cheia de raiva e frustrações que luta para tornar seus sonhos realidade.

Às vezes as coisas são diferentes para as pessoas negras, flor.

Ler as coisas pelas quais a Bri é obrigada a passar é como levar um tapa na cara. Principalmente porque a gente sabe que a vida real é muito mais dura. Mesmo assim, a autora consegue que a gente tenha empatia pelos problemas de Bri e sua família. Amei Trey, o irmão mais velho de Bri, e Sonny.

A edição da Galera Record é muito boa, com ótima diagramação. As letras são de bom tamanho com espaçamento que facilita a leitura. A editora manteve a capa original, utilizando-se do mesmo design e lettering. O destaque editorial fica para a excelente tradução de Regiane Winarski. Não deve ter sido fácil traduzir as rimas sem que elas percam o flow do rap.

Estava com medo de ler Na Hora da Virada, mas Angie Thomas conseguiu mais uma vez. Fiquei totalmente imerso no mundo do hip-hop, acompanhando a garra de uma jovem mulher negra para descobrir quem ela realmente é no meio de uma guerra de gangues, mortes e ganancia. O livro concorreu ao Goodreads Choice Awards 2019 na categoria Melhor Young Adult e ficou em segundo lugar. Perdendo só para A Cinco Passos de Você.

Com amor, André

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