Resenha | Filhos de Sangue e Osso

19 de fev. de 2019

Oi Perdidos,

Quando Children of Blood and Bone foi lançado nos EUA, eu fiquei louco para ler essa fantasia inspirada nos orixás brasileiros. Ainda bem que a editora Rocco não demorou muito para lançar o livro de Tomi Adeyemi aqui no Brasil através do selo Fantástica Rocco.

Título: Filhos de Sangue e Osso
Série: O Legado de Orïsha #1
Autora: Tomi Adeyemi
Tradutor: Petê Rissatti
Editora: Fantástica Rocco
Gênero: Fantasia, YA
Páginas: 560
Ano: 2018
Classificação:

Tudo começou quando a autora norte-americana esteve no Brasil e entrou em uma loja de Salvador, para fugir da chuva, e viu os orixás Iemanjá, Xangô, Oxóssi e Oxum, pintados em azulejos. Deuses e deusas africanos. Ela ficou encantada com aqueles lindos deuses negros e começou a imaginar um mundo inteiro de fantasia e magia.

Filhos de Sangue e Osso é o primeiro livro da trilogia O Legado de Orïsha, baseada na cultura ioruba, um dos maiores grupos étnico-linguísticos da África Ocidental.

Na Terra, a Mãe Céu criou os seres humanos, seus Filhos de Sangue e Osso. Nos céus, ela deu à luz aos deuses e deusas. Cada um viria a incorporar um fragmento diferente de sua alma.

A história é contada sobre três pontos de vista, o que poderia ser confuso ou redundante, mas não é o caso.

Zélie Adebola vive no reino de Orïsha, onde a magia desapareceu há 11 anos. A magia era um dom dos Maji que eram identificados de longe pelos seus cabelos brancos. Eles eram divididos em 10 clãs de acordo com seus poderes e cada clã era orientado por um orixá. Quando a magia passou a ser uma ameaça ao governo do Rei Saran, ele mandou executar todos os Meji. Foi quando a magia morreu. Zélie é uma Divinal, descendente de uma Maji, e luta contra a opressão de seu povo que é obrigado a pagar impostos cada vez maiores e quando não conseguem são escravizados nas colônias do Reino.

Somos o povo que enche as prisões do rei, o povo que nosso reino transforma em trabalhadores forçados. O povo que os orïshanos tentam caçar por nossas feições, declarando ilegal nossa linhagem, como se os cabelos brancos e a magia fossem uma mancha social.

Amari, filha do Rei Saran, encontra um artefato que pode conter a chave para trazer a magia de volta e foge do castelo. Zélie e seu irmão Tzain embarcam com ela numa jornada para restabelecer o elo que existia entre os Maji e os deuses.

O terceiro ponto de vista é de Inan, irmão mais velho de Amari e herdeiro do trono. Ele acaba de ser nomeado capitão da guarda e sai atrás de sua irmã.

Filhos de Sangue e Osso conta a jornada desses personagens, mas Tomi Adeyani, autora negra de apenas 24 anos, também discute questões bem atuais, como o preconceito contra as mulheres, os negros e as religiões. Tudo isso com uma escrita muito rica e fluida. Há uma passagem em que mostra que os ricos tentam clarear a pele para mostrar o quanto são superiores. O livro é um exemplo de Own Voices que é quando o personagem tem alguma semelhança com o autor, seja ela étnica, religiosa, cultural ou sexual.

O livro chegou rapidamente a lista Best Sellers do New York Times e a Fox já comprou os direitos para uma adaptação cinematográfica.

Com ação o tempo todo, personagens profundos e muita cultura ioruba, Filhos de Sangue e Osso é inovador e uma obra prima!

Com amor, André

Resenha publicada originalmente no blog Ler para Divertir

10 comentários:

  1. Oi André! Desde o lançamento que eu quero muito ler este livro! Além de toda fantasia presente, de uma maneira que eu acho que não tinha até agora, colocando em protagonismo a cultura e religião africana, com toda riqueza existente nela, o que mais me atraiu foi como a autora criou esse mundo fantástico, colocando em discussão problemas atualíssimos! No segundo quote temos isso esfregado na cara, muda aí o contexto e ano. Adorei sua resenha! O blog tá lindo!

    Bjoxx ~ Aline ~ www.stalker-literaria.com ♥

    ResponderExcluir
  2. Oi, André.
    Confesso que minha primeira impressão sobre esse livro não foi das melhores porque fiquei sabendo da existência dele quando a autora deu um chilique nas redes sociais acusando a Nora Roberts de ter plagiado o título do livro dela. No final das contas a Nora Roberts provou elegantemente que não existia plágio nenhum e a coisa toda pegou meio mal! Rs...
    Por causa disso fiquei com uma má impressão da autora e tinha decidido que não leria o livro! Rs... Mas então, lendo a sua resenha agora, tô vendo que esse é um tema que pode me interessar. Então, acho que vou tentar relevar e dar uma chance ao livro!!
    Beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

    ResponderExcluir
  3. Desde que esse livro foi lançado vi muitos comentários sobre a história. Achei bem legal a autora ter se baseado em nossa cultura e com certeza pretendo ler esse livro. Outra coisa que achei interessante foram os outros assuntos atuais que ela aborda, cada vez mais os livros vem trazendo esses assuntos para serem debatidos e eu acho muito importante isso. Adorei sua resenha André!

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura | Instagram

    ResponderExcluir
  4. Nossa, que legal isto. Basicamente foi uma inspiração para ela que se tornou uma voz para a nossa cultura! E a capa é lindíssima e acho que tudo isto deve ser uma aventura e tanto. Fiquei muito feliz em ler isto.

    ResponderExcluir
  5. Olá André.

    Nossa, não sou muito de ler livros de fantasia, mas esse livro me chamou a atenção por envolver a religião que eu sigo e foi justamente isso que chamou a minha atenção.

    Dica mais que anotada.

    Beijos

    ResponderExcluir
  6. Eu tô louca pra ler esse livro! Não sabia qual foi a motivação para a autora escrever mas agora que sei, quero mais ainda! Acho esse tipo de narrativa muito necessária. Sem contar que essa capa é linda demais, né? A rocco mandou muito bem nesse lançamento.

    ResponderExcluir
  7. Oi!
    A trama me parece interessante, ficção e fantasia, já li algumas resenhas referentes a esse livro, mas ainda não consegui ler. Parabéns pela resenha foi sincera e bem escrita. Gostei também da capa e pelo jeito vai ter continuação, até mais!

    ResponderExcluir
  8. Oi!
    Que bacana esse livro baseado na cultura ioruba, ainda não conhecia ele. Estudei um pouco sobre esta cultura e fiquei animada com o conteúdo que este livro deve trazer.
    Estes três pontos de vistas que a história mostra deve deixar a narrativa bem legal e mais dinâmica. Fiquei mais animada ainda por saber que a obra teve os direitos comprados para uma adaptação cinematográfica.
    Quero muito ler esta história!
    Abraços.

    FLeituras

    ResponderExcluir
  9. Oii!

    Eu já havia visto a capa desse livro no Goodreads e sabia bem pouco sobre o que se tratava a obra.
    Fiquei fascinada pelo pouco que você contou na resenha e parece ser uma obra única! Como fã de fantasia com certeza espero ler e gostar dessa obra, ainda mais pela autora ter tido a inspiração na minha terrinha <3

    Abraços,
    Andy -StarBooks

    ResponderExcluir
  10. Ola lindona adore a sinopse do livro e como a autora se inspirou para o livro, gostei dos temas abordados no livro, não conhecia o livro e após sua dica irá para a famosa lista de leitura. beijos

    Joyce
    Livros Encantos

    ResponderExcluir

Oi Perdido,
Deixe o seu recado, seja ele um elogio ou uma sugestão.
Obrigada por visitar os Garotos Perdidos.