Resenha | O Quarto de Giovanni

25 de dez de 2018

Oi Perdidos,

Quando Gisela, do Ler para Divertir me ofereceu O Quarto de Giovanni para resenhar, sabia nada sobre a história. Ela apenas me disse que se tratava de um romance homossexual.

Recebi o livro da Companhia das Letras e não fiquei muito animado com a capa. Não gosto quando o nome do autor tem mais destaque do que o nome da obra, mas ao começar a ler percebi que isso não era apenas uma escolha do designer para tornar o livro mais comercial. Pelo contrário, o projeto gráfico de Daniel Trench destaca um dos maiores autores da literatura norte-americana do século XX.

Título: O Quarto de Giovanni
Autor: James Baldwin
Tradutor: Paulo Henriques Britto
Editora: Companhia das Letras
Gênero: Drama, LGBTQ+
Páginas: 232
Ano: 2018
Classificação:

James Baldwin
nasceu em Nova York, em 1924. É autor de uma vasta obra de ficção e não-ficção que tratam sobre a luta racial, questões de sexualidade e identidade. O famoso documentário Eu Não Sou Seu Negro foi baseado em um manuscrito do autor. Se a Rua Beale Falasse, previsto para ser lançado em janeiro de 2019, foi adaptado para o cinema pelo mesmo diretor de Moonlight: Sob a Luz do Luar. Baldwin morreu em um pequeno povoado francês em 1987.

Paris é a cidade onde todo mundo perde a cabeça e a moralidade, vive ao menos uma histoire d’amour, livra-se por completo do hábito de chegar a qualquer lugar na hora certa e debocha dos puritanos – é a cidade em suma, onde todos se embriagam com aquele belo e antigo ar de liberdade.

Paulo Henriques Britto fez uma nova tradução para este clássico moderno A edição tem uma introdução escrita por Colm Tóibín que compara O Quarto de Giovanni com o romance O Sol Também Se Levanta, de Ernest Hemingway, publicado em 1926. Também há dois textos dissertativos: James Baldwin e os Desafios da (Des)classificação, de Hélio Menezes, e Um Perfil de James Baldwin, por Márcio Macedo.

O primeiro livro do autor, Go Tell It On The Mountain, foi publicado em 1953 e se passa no Bronx. James Baldwin discutiu questões raciais e religiosas. Todo mundo esperava que o segundo livro do autor, que é negro, tratasse sobre as mesmas questões, mas O Quarto de Giovanni explora a sexualidade humana ao narrar o encontro arrebatador de um americano e um italiano numa Paris boêmia e fervilhante.

David está curtindo Paris enquanto espera Hella decidir sobre o seu pedido de casamento. Ela está na Espanha quando David conhece Giovanni, um jovem italiano que trabalha como garçom num bar movimentado da cidade. O pai de David decide parar de enviar dinheiro para fazer o filho voltar para casa. Sem dinheiro, David tem que sair do hotel onde estava hospedado e aceitar o convite de Giovanni.

Entrar no quarto de Giovanni equivale a sair do armário, o que leva David ao centro de um turbilhão de emoções, que mistura o desejo ardente com a certeza da frustração em meio a um enorme vazio existencial.

David está disposto a julgar a si próprio e a usar essas páginas não apenas para explicar ou dramatizar, mas também para expiar seus pecados, na medida do possível, e se arrepender-se, na medida do possível.

A cada Com Amor, Simon e Quinze Dias, existem milhares de O Quarto de Giovanni. Os livros de temática homossexual e bissexual mais antigos costumam ser bem densos e dramáticos, como se ser homossexual fosse algo errado que merecesse o sofrimento enviado pelos deuses. É certo que quem é LGBTQ+ sofre bastante por causa do preconceito da sociedade, mas isso não significa que é algo errado. Os livros mais recentes trazem uma narrativa mais leve e positiva.

O livro de James Baldwin é difícil de ser classificado e resenhado. Espero ter conseguido falar um pouco desse clássico não só da literatura gay, como da literatura mundial.

O Quarto de Giovanni não é exatamente sobre homossexualidade, disse o autor, é sobre o que acontece quando se tem medo de amar alguém, o que é muito mais interessante.

O Quarto de Giovanni é um presente de Natal para todos os amantes de literatura.
Feliz Natal!!!

6 comentários:

  1. André
    Quando li a resenha que você fez para o Ler para Divertir, fiquei bastante interessada em ler este livro, acho que ele vai ter uma dinâmica bem diferente de tudo que já li sobre o tema. Sua resenha como sempre ficou ótima.
    Abraços,
    Gisela
    Ler para Divertir

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  2. Oi, André!
    Sua resenha foi bem simplificada, mas só me deixou com mais curiosidade em relação à história. Gostei bastante do seu ponto de vista e da importância do autor e da obra, com certeza estará na minha meta de leitura.
    Bjos
    Lucy - Por essas páginas

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  3. Olá!
    Ainda não conhecia esse livro, mas simplesmente já me apaixonei pela premissa. Infelizmente nunca tinha ouvido falar sobre o autor, apesar de ser um clássico. Amo histórias ambientadas em Paris e concordo com você sobre o fato das histórias LGBTQ+ antigas parecessem ter maior densidade e dramaticidade do que as modernas, que são mais leves pelo fato de estarmos em luta por mais respeito às minorias. Eu gosto muito de drama, então acho que esse livro tem tudo para que eu o ame. Adorei a dica! Beijos!

    castelodoimaginario.blogspot.com

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  4. Esse livro parece ter uma história intensa e repleta de surpresas, deve ser uma leitura leve. Fiquei interessado em conhecer a história na íntegra e o anotei na minha lista de desejados.

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    1. Oi, de leve não tem nada porque o autor discute muito o lado psicológico do personagem em um momento de muitas dúvidas. É forte e impactante.
      Com amor, André

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  5. Oi!
    Eu não conhecia o livro nem o autor, mas agora você falando das obras dele ou filmes inspirados nos seus textos, descobri que que conhecia algumas, mesmo sem saber.
    Imagino como deve ter a recepção do livro pelo público. Se ainda hoje há alguma dificuldade de escrever uma história que retrate a homossexualidade ou um amor gay, pois as obras recebem ainda muito ataque, quando ele publicou deve ter sido mais difícil ainda.
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/

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Oi Perdido,
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