Resenha | Duologia O Corpo Proibido

5 de jul de 2018
Josiane Veiga

Oi Perdidos,

Eu gostei tanto da trilogia Jishu (Rendição, Redenção e Remissão) quando li que prometi ler qualquer obra da autora gaucha Viviane Veiga. Porém, livros de outros autores foram passando na frente e, quando me dei conta, estava sem ler nada da autora há anos. Terminei de ler a duologia O Corpo Proibido (Kinshi na Karada e Jiyuu na Karada) nesta semana e me apaixonei ainda mais pelos livros de temática LGBTQ+ da autora.

O Corpo Proibido
Título: Kinshi na Karada: O Corpo Proibido
Série: O Corpo Proibido #1
Autora: Josiane Veiga
Editora: Amazon Kindle Direct Publishing
Gênero: LGBTQ+, Segunda Guerra Mundial, Japão, Drama
Páginas: 588
Ano: 2014
Classificação:
O Corpo Liberto
Título: Jiyuu na Karada: O Corpo Liberto
Série: O Corpo Proibido #2
Autora: Josiane Veiga
Editora: Amazon Kindle Direct Publishing
Gênero: LGBTQ+, Segunda Guerra Mundial, Japão, Drama
Páginas: 508
Ano: 2015
Classificação:

O que eu mais gostei na trilogia Jishu foi que a autora conseguiu me transportar para o Japão, onde pude observar os valores e as crenças de um povo rico culturalmente. Josiane Veiga é apaixonada pela cultura japonesa e isso fica evidente na sua escrita. Outro ponto forte são seus personagens. Eles são bem desenvolvidos e são tão humanos que a gente acaba se apaixonando e se emocionando com eles.

Kinshi na Karada e Jiyuu na Karada também se passam no Japão, mas durante a Segunda Guerra Mundial que durou de 1939 a 1945. O país fez parte do Eixo, junto com a Alemanha e a Itália, e foram vencidos pelos Aliados (Estados Unidos, União Soviética, Reino Unido e China). A autora mistura personagens fictícios com personagens históricos, como Hirohito e Hitler de forma brilhante.  A pesquisa histórica deve ter sido enorme. Ela teve o cuidado de respeitar os momentos históricos e trágicos desse momento nebuloso da nossa história.

Líderes do Eixo
Líderes do Eixo: Hirohito (Japão), Adolf Hitler (Alemanha) e Benito Mussolini (Itália) 
Shiro e Satoshi foram despejados da casa alugada, após a morte da mãe, e passaram a viver nas ruas. O mais velho deles se aproveitou da aparência feminina de Shiro e começou a vender o corpo do irmão em troca de comida. Vítima do destino e da maldade humana, Shiro é salvo por Mamoru Aiko.

Só chora por outras coisas quem nunca teve que dormir sob as estrelas, sentindo a barriga doer de fome.

Aiko dirige a Casa Ai, uma casa de prostituição sofisticada que um dia já foi uma casa de Gueixas. O cortesão nutre um amor platônico pelo amigo militar Shin, sobrinho do Imperador Hirohito. Shin está acostumado a mandar e ter todos a seus pés. Só respeita os amigos Aiko e Ryo.

Ryo é um nobre comerciante do setor pesqueiro e é atormentado por visões do futuro desde a infância. Ele sempre soube que iria se casar com a linda  jovem de cabelos negros e olhos amendoados que aparece em suas visões. Enquanto não encontra a mulher dos seus sonhos, se diverte com as prostitutas da Casa Ai.

Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se, independente do tempo, lugar ou circunstâncias.

Interessante como todos os personagens têm qualidades e defeitos como qualquer ser humano. Shin e Ryo me irritaram muito. Tive vontade de socar os dois em diversos momentos, mas, em contra partida, temos Aiko, Shiro, Jiro... Jiro!

Quando Shin vai para a Alemanha se encontrar com Hitler, conhece Jiro, seu tradutor. Claro que Shin não tinha ideia do que acontecia por lá. Nos campos de concentração! É Jiro quem consegue manter Shin são após tudo o que viu e fez durante a guerra.

Enquanto Kinshi na Karada fala sobre sobreviver durante a Segunda Grande Guerra, Jiyuu na Karada fala sobre os traumas que ficaram após ela. Fala sobre perdão, de família, de amor. Há  diversos tipos de amor nos livros. Há o amor fraternal, familiar e o amor sexual, é claro. As cenas de sexo são sutis e bem escritas.

Me emocionei muito com o drama desses personagens. Odiei, amei e chorei, chorei muito! Apesar de tudo, não são livros pesados. Os momentos mais dramáticos e angustiantes são intercalados por momentos de pura sutiliza que demonstra a maturidade narrativa de Josiane Veiga.

Estou me sentindo órfãos desses personagens maravilhosos, principalmente de Shiro e Nana! Se me permitem uma dica, acho melhor vocês não lerem o Prefácio e a Nota da Autora antes. Deixem pra ler no final!

Com amor, André.

Um comentário:

  1. Que resenha linda. Francamente, tenho 40 livros publicados atualmente, mas essa duologia é minha alma escancarada, talvez por isso seja tão dificil para algumas pessoas. Mas, quem se permite... eu acho que tem uma boa leitura. Estou muito emocionada. Muitooo obrigada.

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