Resenha | Peter Pan (Loisel)

14 de set de 2017

Oi Perdidos,

Com um blog chamado Garotos Perdidos, nem precisaria dizer que sou fã de Peter Pan. Mas, eu sou!! A primeira vez que tive contato com os personagens criados por J.M. Barrie foi através do desenho animado da Disney, de 1953. Essa é a versão que habita o meu coração até os dias de hoje, por isso fiquei perplexo quando li uma HQ tão sombria como Peter Pan, do Loisel.

Fazia tempo que queria essa trilogia, mas o preço sempre foi alto. Quando os encontrei em uma boa promoção na Amazon, não perdi tempo e adquiri essas preciosidades.

Título: Peter Pan (3 volumes)
Autor: Loisel
Tradutora: Fernando Scheibe
Editora: Nemo
Gênero: HQ, Fantasia, Drama
Páginas: 112, 120 e 103 respectivamente
Ano: 2013
Classificação:



Os textos, desenhos e cores são do famoso cartunista francês Regis Loisel. Ele trabalhou para a Disney nos desenhos Mulan (1998) e Atlantis (2001), mas foi em 2002 que deu o seu toque especial para Peter Pan. As HQs foram originalmente publicadas em 6 volumes, mas a Editora Nemo copilou tudo para 3 volumes de capa dura aqui no Brasil. Um lindo trabalho da editora!

No início, somos informados que a HQ é Muito livremente inspirada nos personagens de Sir James Mathew Barrie, o que nos prepara para o que pode vir pela frente, mas a magia que conhecemos tão bem continua presente em cada quadrinho apesar do tom mais adulto da história.

O primeiro capítulo se chama Londres e mostra a vida de Peter durante o inverno de 1887 nas ruas sujas e cruéis da cidade. Ele é órfão de pai e a mãe o maltrata muito. Mesmo assim, ele inventa histórias felizes de uma mamãe carinhosa para os garotos de um orfanato. Peter tem que sobreviver à violência da mãe, tentativa de estupro e prostitutas que se oferecem nos becos escuros. O Sr. Kundal é o único com quem pode contar, até que uma fadinha pra lá de temperamental aparece para leva-lo para um lugar mágico. Peter acaba em um navio pirata e o guerreiro Pan precisa criar um plano de resgate para salvá-lo.

Em Opikanoba, a aventura preenche as páginas com desenhos mais coloridos, contrastando bastante com a Londres escura do primeiro capítulo, mas o olhar de Loisel continua ácido. As sereias lembram muito as putas de Londres, com os seios a mostra e traços que modelam um corpo sexy para os padrões da época. O resgate não será fácil porque Peter está gostando de ser um pirata. Quem nunca brincou de ser um pirata? Loisel não nos poupa de cenas fortes quando alguns personagens entram em um lugar capaz de enlouquecer qualquer mente.

Hm... Você sabe Peter, o acaso não existe... Os acontecimentos estão escritos de antemão, os destinos já estão traçados. É assim. Por isso, você era a única pessoa que “sininho” podia ir procurar. Não me pergunte por que, eu ainda não sei.

O terceiro capítulo, Tempestade, mostra um Peter convencido por ser o escolhido para salvar o tesouro da ilha das mãos dos piratas, mas suas decisões podem colocar a vida de outras pessoas em perigo.

O autor debate sobre culpa e vingança em Mãos Vermelhas. Para aumentar o poder contra os piratas, Peter decide trazer seus amigos do orfanato para a ilha. Nessa missão, Peter acaba conhecendo Rose e Picou e os traz juntos.
Em Gancho, os meninos estão se alojando na ilha e Rose é a mãe de todos eles, assim como era a Wendy do livro e das outras adaptações. Nesse capítulo, conhecemos um pouco mais sobre o Capitão Gancho e seu passado.

Enciumada, Sininho tenta se livrar de Rose em Destinos e a partir dai o destino de cada personagem começa a ser traçado.


Não posso falar muito, mas o final é trágico e fiquei com muita raiva do Peter Pan, mesmo sem ele saber direito o que estava fazendo. Afinal, não se lembrava dos últimos acontecimentos. Não sei se a falta de memória é fruto da magia da ilha ou se é uma forma da mente conseguir suportar todo o sofrimento que Peter vivenciou.

Loisel conseguiu criar uma obra prima cheia de questionamentos morais e filosóficos nas entrelinhas de uma fantasia eterna.

Peter: - Não quero crescer! NUNCA! NUNCA!
Sr. Kundal: - Então preserve-se do “GRANDE GULOSO”.
Peter: - O Grande Guloso?
Sr. Kundal: - É o Tempo, meu filho!... O TEMPO!

Beijos,

Pense em uma coisa boa
e num instante você voa.
 Pense em uma coisa linda
se você não voa ainda.

3 comentários:

  1. Show de bola Andre! Eu tive a oportunidade de ler a obra original e mesmo com todo a coisa do conto de fadas tem coisas que para uma criança podem passar despercebidas mais para pessoas maduras ficam meio perturbadoras, como o Pan brincando de faz de conta e os lapsos de memoria no final do livro.
    Fiquei interessado para lê o quadrinho, gosto dessas adaptações.

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  2. Oi André!
    Entendo muito o seu amor por Peter Pan, pois é assim que eu me sinto em relação à Alice <3 Comecei ler a edição comentada da Zahar, mas ainda não pude finalizá-la. Adoro essas releituras mais darks e fiquei muito curiosa com os quadrinhos. Ótima resenha!

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura | Facebook | Instagram

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  3. Oi Andre.
    Que resenha mais linda. Você é com certeza um garoto perdido e sua paixão por Peter Pan é linda de se ver <3. Adorei as imagens, parece uma releitura fantástica *-*
    Um grande beijo.
    www.meupassatempoblablabla.com

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