Crítica | O Círculo

25 de jun de 2017
O Círculo

Oi Perdidos,

O Círculo tem Emma Watson e Tom Hanks no elenco, o que já desperta a nossa atenção para o filme. Porém, o filme não fez muito sucesso por onde passou e é baseado em um livro distópico que não teve muito destaque aqui no Brasil.

Será que o filme consegue fazer jus à qualidade de seu elenco?

Título: O Círculo
Título Original: The Circle
País: EUA
Ano: 2017
Diretor: James Ponsoldt
Atores: Emma Watson, Tom Hanks e John Boyega
Gênero: Suspense, Drama, Distopia
Tempo: 1h50min
Classificação:


Mae Holland (Emma Watson, de A Bela e A Fera) trabalha em uma pequena empresa de Call Center até que sua amiga Annie Allerton (Karen Gillian, de Guardiões da Galáxia) consegue uma entrevista de emprego na The Circle, a maior empresa de tecnologia e comunicação do mundo. Mae acaba sendo contratada o que deixa seus pais muito orgulhosos.

O pai de Mae (Bill Paxton, de Aliens e Titanic) tem esclerose múltipla e depende da esposa (Glenne Headly, de Mr. Holland - Adorável Professor) para ajudá-lo nas atividades mais corriqueiras do dia a dia. Eles adorariam ver Mae e Mercer (Ellar Coltrane, de Boyhood) juntos novamente, mas ela só quer saber dele como amigo.

Durante um seminário na empresa, o líder Eamon Bailey (Tom Hanks, de Filadélfia, Náufrago e Forrest Gump), explica o conceito de uma nova ferramenta chamada SeeChance. São pequenas câmeras que podem ser escondidas em qualquer lugar para monitorar as marés, o trânsito e as pessoas. Segundo ele, isso faria com que as pessoas agissem de forma mais honesta e transparente.

Saber é bom. Saber tudo é muito melhor

Mae começa a se destacar na empresa e é acolhida como um membro que pode propagar os ideais de seus chefes para o mundo, porém uma grande reviravolta faz com que ela abra os olhos para o que realmente acontece nos bastidores da empresa. Ela conta com a ajuda de Ty Lafite (John Boyega, de Star Wars - O Despertar da Força), o criador do True You, um dos produtos mais populares da empresa.

Emma Watson
Redes Sociais sobrecarregam Emma Watson
O filme consegue gerar um debate muito interessante sobre a relação entre tecnologia e democracia. A história se passa em um universo distópico, mas que é muito próximo da realidade que vivemos hoje. Muitas empresas visualizam o e-mail corporativo de seus empregados alegando que estão apenas verificando se há alguma violação trabalhista. O próprio Edward Snowden, ex-empregado da Agência de Segurança Nacional denunciou os EUA por obterem informações ilegais através de escutas telefônicas, troca de e-mails e outras formas tecnológicas. A desculpa dada é que a informação era usada para investigar terroristas e impedir atividades futuras. Mas será que ela não estava sendo usada para outras finalidades também?

Quem tem informação, tem poder! O que as grandes empresas de telefonia, como Apple, e da Internet, como Facebook e Google, fazem com as informações que recebem diariamente de nós, seus usuários? Com essas informações, eles podem manipular questões sociais, políticas e financeiras a seu bel prazer. Já pensaram nisso?

Pena que essas questões filosóficas não foram tão bem trabalhadas pelo roteiro escrito a quatro mãos por James Ponsoldt, também diretor do longa, e Dave Eggers, escritor do livro que inspirou o filme. O livro foi lançado no Brasil pela Companhia das Letras em 2014.

Os atores não têm muito com o que trabalhar. Além do fraco roteiro, o diretor James Ponsoldt (de O Maravilhoso Agora) não consegue dar peso às cenas mais importantes. Tom Hanks é um mero coadjuvante e Emma Watson não consegue mostrar todo o talento que tem.

A tecnologia pode trabalhar a favor ou contra a democracia, tudo vai depender da forma como os homens a utilizam. Pode ser libertadora ou nos sufocar.


Beijos

Tornou-se aterradoramente claro
que a nossa tecnologia ultrapassou
a nossa Humanidade (Albert Einstein)

2 comentários:

  1. Filmes fora do circuito - Pra mim tudo vem de uma tentativa dos atores em se distanciar dos papeis que os fizeram alcançar a fama e poderem "atuar de verdade". Livros com profundidade filosófica pra mim, funcionam melhor que filmes. Noventa minutos sempre será muito pouco pra responder qualquer pergunta, porque esse tempo é só pra debater uma das possíveis respostas.
    Parabéns pelo ótimo post!

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