Resenha | Desintegrados

23 de mai de 2017

Oi Perdidos,

Vamos retornar ao mundo onde o corpo vale mais do que a vida. Desintegrados é o segundo volume da série distópica Fragmentados.

Eu adorei Fragmentados e a expectativa era grande para a continuação. Agora, temos a oportunidade de vislumbrar os interesses políticos e corporativos que estão por trás da fragmentação.

Nossos amigos vão continuar a lutar contra o sistema, mas essa luta ficará cada vez mais difícil.

A única maneira de lidar com um mundo sem liberdade é torna-se tão absolutamente livre que sua própria existência seja um ato de rebeldia. (Albert Camus)

Título: Desintegrados (UnWholly)
Série: Fragmentados #2 (Unwind #2)
Autor: Neal Shusterman
Tradutora: Camila Fernandes
Editora: Novo Conceito
Gênero: Distopia
Páginas: 414
Ano: 2017
Classificação:


Antes de começarmos, gostaria de dar um aviso. Desintegrados é o segundo livro da série distópica Fragmentados, então, qualquer coisa que falarmos aqui pode ser um spoiler do primeiro livro, mas vou tentar segurar os spoilers maiores.

Se você leu a resenha do primeiro livro, sabe que fragmentação é o processo pelo qual um indivíduo é dividido em partes. Por lei, 99,44% de uma pessoa devem ser mantidos vivos e usados em transplantes. Como praticamente a totalidade dela continua viva, a pessoa não é considerada morta, mas viva em um estado dividido.

É claro que os adolescentes enviados para a fragmentação são contra tudo isso.  Os que conseguem fugir são considerados desertores. Alguns conseguem a ajuda da Resistência Antidivisional (RAD), uma organização que luta contra a fragmentação, mas muitos acabam vivem na clandestinidade e cometendo pequenos delitos.

O livro começa apresentando novos personagens.

Starkey é um adolescente que teve a ordem de fragmentação assinada pelos pais adotivos - quando uma mãe não deseja ficar com o bebê recém-nascido, ela tem a opção legal de deixar a criança na porta de uma casa. Entretanto, ele é resgatado por Connor e seus amigos e levado para o Cemitério.

Miracolina e Timothy são os dízimos da vez. Ela nasceu para ser a doadora de medula óssea do irmão e está feliz por ser fragmentada.

Camus "Cam" Comprix é o personagem mais interessante da história. Ele foi totalmente "montado" com partes de fragmentados. Esse Frankstein moderno nos leva ao questionamento sobre onde começa e termina a vida e o que realmente significa viver. Mas, qual é o verdadeiro motivo de sua criação? Quem são seus financiadores? Ninguém sabe.

A história é permeada por anúncios que defendem a fragmentação. Me senti no meio de uma maciça campanha nazista ou militar.

Você já parou para pensar em todas as pessoas que foram ajudadas pela fragmentação? Não só as que receberam os tecidos e órgãos muito necessários, mas as centenas empregadas no ramo médico e indústrias de apoio. Os filhos, os maridos e esposas das pessoas cuja vida é salva por enxertos e transplantes. E quando aos soldados feridos no cumprimento do dever, curados e restaurados pelas partes preciosas que recebem? Pense nisso. Todos nós conhecemos alguém que foi tocado positivamente pela fragmentação. Mas agora a assim chamada Resistência Antidivisional ameaça nossa saúde, segurança, empregos e economia ao desconsiderar uma lei federal que precisou de uma guerra longa e dolorosa para ser criada.
Escreva para seu deputado hoje. Diga aos seus legisladores o que você pensa. Exija que eles tomem uma atitude contra a RAD. Vamos manter nossa nação e nosso mundo no caminho certo.
Fragmentação. Não é só um bom remédio, é a solução certa.
- Pago pelo Consórcio de Contribuintes Consciente.

Poderia até ser a favor da fragmentação se esse processo não fosse feito em adolescentes com uma longa vida pela frente. Mas, como Risa costuma dizer, uma coisa ouvida milhares de vezes, passa a ser verdade e socialmente aceita. A campanha de marketing feita para a sociedade aceitar Cam é muito bem elaborada e deveria ser usada em um estudo de caso. Atualmente, estamos passando por um sério problema político no brasil e muitas vezes ouvimos campanhas na tentativa de transformar criminosos em vítimas. Corruptos em heróis.

O livro continua contando as histórias de Connor, Risa e Lev exatamente após os acontecimentos finais de Fragmentados.

Connor é o novo comandante do Cemitério, um refúgio para aqueles que estavam destinados à fragmentação. Ele e Risa estão um pouco afastados apesar do que sentem um pelo outro. O cenário social começa a mudar e o Cemitério deixa de ser um esconderijo seguro.

Enquanto isso, Lev, que ficou famoso, foi afastado da mídia rapidamente para evitar que se torne uma voz contra a fragmentação. No fim, foi sentenciado à prisão domiciliar e trabalhos comunitários até completar os 18 anos pelas sua ações.

Claro que esses personagens vão se interligar em algum ponto da história. Outros personagens também retornarão e darão muito trabalho para nossos amigos.

Gostei muito de Desintegrados, mas ele tem um ritmo mais lento se compararmos com Fragmentados. O mundo criado por Neal Shusterman é único e nos leva a fazer reflexões importantes. Os personagens continuam interessantes e a gente se importa com cada um deles.

A escrita de Shusterman é envolvente e desejo ler outras obras do autor além desta série. A editora Seguinte acabou de lançar O Ceifador, primeiro livro da série Scythe. Alguém já leu?

Espero que os dois últimos livros da série sejam lançados logo pela editora Novo Conceito.

Indico muito essa série para quem curte livros de fantasia e distopia com alguns momentos tensos. Até hoje me lembro de uma cena marcante do primeiro livro.

Os direitos dessa série já foram adquiridos para o cinema. Espero que o projeto saia do papel.

Beijos.

Segunda estrela à direita,
e direto até o amanhecer

12 comentários:

  1. Falam muito bem dessa série, mas não consegui me interessar nem pelo primeiro livro. Eu acho que só estou um pouco saturada desse tipo de enredo, entende?

    http://laoliphant.com.br/

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  2. Oiii
    Eu amo distopias e tenho uma amiga que sempre me recomenda ler essa série. Quero pegar o primeiro para ler ainda esse ano!
    Bjus

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    1. Oi,
      O mundo criado por Neal Shusterman é muito legal. Se você gosta de Distopia, vai amar!
      Beijos, André

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  3. Essa série de livros me deixa bem curiosa, porque é algo que me choca bastante, mas tenho a impressão que lendo não ficaria tão chocada assim.
    Beijos
    Mari
    www.pequenosretalhos.com

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    1. Oi Mari,
      Tem uma cena no primeiro livro que choca bastante. O segundo livro é mais tranquilo neste sentido.
      Beijos, André

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  4. Olá!
    Jura que já vai virar filme? Tenho que apressar a leitura pelo menos do primeiro volume. Queria que uma distopia sem adolescentes surgisse...rs... só pra dar uma revigorada no gênero.

    Beijos!
    Gatita&Cia.

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    1. Oi Tatiana,
      Os direitos já foram comprados, mas vamos ver se esse projeto vai sair do papel. Infelizmente, os personagens principais são todos adolescentes... rsrsr.
      Beijos, André

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  5. Olá, tudo bem?
    Ainda não conhecia a premissa dessa série, apesar de já ter ouvido de nome, e achei bem interessante. Adoro livros de fantasia e distopia, e por tudo que você falou, acho que vou gostar bastante. Outro ponto que me agradou foi saber que, mesmo tendo achado um pouco mais lento, você ainda gostou desse segundo volume. O que sempre me preocupa em séries é que, às vezes, o primeiro volume é ótimo e as continuações acabam decepcionando. Então, saber que esse não é o caso, já me anima a ler.
    Além disso, eu ainda não li nada do Neal Shusterman, mas tenho visto tantos elogios à escrita dele por causa do livro O Ceifador que já estou ficando curiosa para ler algum livro dele. Gostei muito da premissa dessa série e espero poder ler antes que o filme seja lançado, porque sempre prefiro conhecer o livro antes de assistir o filme.
    Adorei sua resenha e a dica já está anotada.
    Beijos!

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    1. Oi Maria,
      Adorei o comentário! Espero que você goste tanto dos livros quanto eu estou gostando. A série é composta por 4 livros e estou aguardando a Novo Conceito lançar os próximos livros.
      Beijos, André

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  6. Eu conheço a série, é juvenil, tem uma pegada interessante. O ritmo pé frenético e os jovens que compõe os personagens frenético na luta por sobrevivência, ao menos, é isso que entendo da obra, obviamente, posso estar enganada. ‘Me senti no meio de uma maciça campanha nazista ou militar.’ Assustador. Acredito que seja uma leitura válida.

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  7. Oie! Há muito tempo estou empolgada para ler Fragmentados e, depois de ler sua resenha, já coloquei Desintegrados na lista de futuras compras. Achei bem legal a ideia do autor de criar todo esse sistema e uma resistência a ele, principalmente porque conhecemos personagens que aceitam, personagens que são contra e personagens que simplesmente aceitaram a condição que lhes foi estabelecida. Quero muito muito saber o que vai acontecer com cada um deles e, principalmente, como é esse Cam. O enredo total da série parece ser bem assustador com esse negócio de fragmentação.

    Beijos,
    Fernanda F. Goulart

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