Crítica | Estrelas Além do Tempo

7 de fev de 2017

Oi Perdidos,

Neste final de semana fui ver Estrelas Além do Tempo, mais um dos filmes indicados ao Oscar 2017.

Genialidade não tem raça. Força não tem gênero. Coragem não tem limite

Essa tagline representa muito bem a história verídica de 3 mulheres negras que tiveram um papel fundamental na NASA durante o início do programa espacial americano.

Título: Estrelas Além do Tempo
Título Original: Hidden Figures
País: EUA
Ano: 2016
Diretor: Theodore Melfi
Atores: Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe, Kevin Costner, Kirsten Dunst, Jim Parsons e Mahershala Ali
Gênero: Biografia, Drama, Histórico
Produção: 20th Century Fox
Classificação:


Após o lançamento do primeiro satélite artificial, o Sputnik 1, em 4 de outubro de 1957, pelos soviéticos, a atenção dos americanos se voltou para o espaço. Deu-se início à Corrida Espacial, onde Rússia e os Estados Unidos brigavam por cada conquista.

Criada em 29 de julho de 1958, a NASA (sigla em inglês de National Aeronautics and Space Administration – Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço) iniciou o Programa Mercury com o objetivo de descobrir se o homem poderia sobreviver no espaço. Representantes do Exército, Marinha e Força Aérea dos EUA foram selecionados para prestar assistência à NASA, mas o cérebro por trás do sucesso desse projeto foram 3 mulheres negras e talentosas matemáticas.

O problema é que estamos falando de uma época em que o trabalho das mulheres não era valorizado, ainda mais o de mulheres negras. A Segregação Racial era muito forte. Somente em 9 de julho de 1968 foi que a 14ª Emenda da Constituição Americana garantiu e protegeu a igualdade dos cidadãos perante a lei. Dois anos depois, em 3 de fevereiro, a 15ª Emenda é ratificada para garantir o Sufrágio Universal e impedir a discriminação baseada em raça ou cor neste direito.

Katherine (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe) trabalham na NASA e são conhecidas como "Computadores Humanos". Seu trabalho é realizar cálculos matemáticos que ajude os Estados Unidos a levar o homem ao espaço e trazê-lo de volta são e salvo.

Dorothy tem o sonho de ser uma supervisora, mas o fato de ser negra é um empecilho. Mary quer ser engenheira, mas, infelizmente, nasceu mulher e negra. Essa segregação imposta de forma legal e social é representada pela personagem da sumida Kirsten Dunst. O filme não se aprofunda muito na questão do preconceito racial, mas ele é mostrado a todo instante, como, por exemplo, quando a personagem de Taraji P. Henson tem que andar uma grande distância porque não há banheiros para negros no prédio onde ela trabalha, ou quando os colegas de trabalho exigem que ela tome café de uma garrafa separada. Acredito que as verdadeiras mulheres que inspiraram as personagens do filme sofreram muito mais preconceito do que é mostrado.

Katherine, que é a personagem de Taraji P. Henson, tem a sorte de ser selecionada para trabalhar no grupo de trabalho de Al Harrison (Kevin Costner). Ele pede que ela confira os cálculos feitos pelo engenheiro Paul Stafford (Jim Parsons) que fica contrariado por ter seu trabalho posto em xeque. Como filme, os personagens de Dunst e Parsons deveriam ser mais vilanescos para aumentar a carga dramática do filme, já que não há suspense em descobrir se o programa vai dar certo ou não. Afinal, o filme é baseado em acontecimentos verídicos.

Sabemos que em 5 de maio de 1961 o astronauta Alan Shepard se tornou o primeiro norteamericano no espaço pilotando a Freedom 7 e John Glenn se tornou o primeiro norteamericano a orbitar a Terra em 20 de fevereiro de 1962 durante o voo da Friendship 7.

É um bom filme, com boas atuações das três atrizes principais, mas, como disse, falta carga dramática para o filme ser mais empolgante. Outro fator que faz com que o filme não empolgue é a edição. Os acontecimentos parecem que aconteceram com dias de diferença, e não anos. Destaque para a participação do ator Mahershala Ali que está indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme Moonlight - Sob a Luz do Luar.

As barreiras que essas mulheres quebraram foram enormes e as conquistas gigantescas. Impressionante como essa história não tinha sido contada até agora. Estamos vendo a história de verdadeiras heroínas norte americanas.

O filme foi indicado para o Oscar 2017 de Melhor Filme, Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer) e Melhor Roteiro Adaptado. O filme ganhou como Melhor Elenco no Screen Actors Guild Awards. O mesmo aconteceu com Spotlight no ano passado e ele acabou levando o Oscar de Melhor Filme quando todo mundo apostava em O Regresso. Será que Estrelas Além do Tempo pode desbancar o excelente La La Land?? Nããããoooooo!!! ;}

Beijos.

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13 comentários:

  1. Oi André! Esse elenco está mesmo de arrasar mas parece que falta algum tchan pra nos encantar! Acho que a culpa é um pouco da edição, como você disse. Na verdade, torço mais para La La Land e fico procurando defeitinhos minimos nos outros filmes! kkkk

    www.ocaosfeminino.com.br

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  2. Olá, tudo bem?
    Tinha visto algumas divulgações desse livro por ai, mas nunca parei para ler.
    Bem apesar de não ser tão dramático o filme parece ser bem legal devido as indicações ao oscar e aos prêmios que ganhou.
    Valeu pela dica. Beijos

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  3. Oi Tudo bem, eu tô louca pra assistir o filme, acho que seria uma boa que ele levasse o prêmio e mais uma vez uma história com um conteúdo mais forte recebesse destaque em Hollywood. Mas, acho difícil Lalaland não ganhar porque foi um filme pensado pra essa finalidade.
    abraços

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  4. Oi André
    Não conhecia ainda esse filme, mas achei o enredo muito interessante...
    Apesar de talvez faltar um pouco de carga dramática, como você observou, acho que é uma grande história que vale a pena ser conhecida.
    As mulheres sofreram e infelizmente ainda sofrem muitos preconceitos até hoje... sem falar nas pessoas negras. É inconcebível que coisas assim aconteçam em pleno século 21!!!
    Abraços

    http://thehouseofstorie.blogspot.com.br/

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  5. ‘Mary quer ser engenheira, mas, infelizmente, nasceu mulher negra’ Infelizmente? Sério que eu li isso? Infelizmente?
    Hoje seria um ótimo dia para eu ser enterrada viva!

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    Respostas
    1. Lilian,
      Esse não é o meu pensamento e sim o pensamento dos personagens do filme.
      Beijos.

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  6. Olá André, apesar dos pontos negativos que você destacou eu curti a proposta do filme e ele parece trazer personagens bem fortes *-* Espero poder assisti-lo em breve.

    Meu Mundo, Meu Estilo

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  7. Olá
    parece ser um filme muito bom sobre superações e cheio de criticas, gostei da sinopse do filme, espero poder ter oportunidade de assistir

    beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  8. Oi!!
    O filme tráz um elenco de peso, mas a temática não chama a minha atenção, mas não posso dizer que jamais assistirei.
    Beijão!

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  9. Olá, como vai?
    Eu goste quando sai esse filme com 3 mulheres negras no papel principal.
    Mas achei que o filme teria uma carga dramática maior, até porque ele foi indicado a alguns Oscars.
    Ainda não assisti, mas eu quero. Eu acho que vou gostar mesmo com pontos negativos que citou.
    Beijo
    http://qadulta.blogspot.com/

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  10. Eu estou super ansiosa pra ver esse filme. Acho que estávamos precisando de algo assim no cinema.
    A crítica ficou ótima.

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  11. Olá, tudo bem?
    Esse é um filme que quero muito ver. Estou sempre buscando filmes e livros que me ajudem a militar no feminismo negro (sou feminista de negra!) e este filme parece ser muito bom! É importante utilizar todos os meios pare conscientizar e desconstruir. Beijos <3

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  12. Oie,

    Estou louca para ver o filme, porque o livro é maravilhoso. A segregação racial realmente era muito forte, mesmo que hoje ainda tenha, uma tanto que velada.

    Como não vi o filme,não posso opinar muito, mas se for parecido com o enredo do livro, merece todos os prêmios mesmo.

    Beijos,
    Fran
    Diário de uma leitora Compulsiva

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