Resenha | Apenas um Garoto

12 de out de 2016

Título: Apenas um Garoto (Openly Straight)
Série: Apenas um Garoto #1 (Openly Straight #1)
Autor: Bill Konigsberg
Editora: Arqueiro
Gênero: Drama, Romance, Homossexual, Jovem Adulto
Páginas: 253
Ano: 2016
Classificação: Favorito


Oi Garotos Perdidos,

Acabei de ler Apenas um Garoto, da Editora Arqueiro, e tenho percebido que as grandes editoras estão apostando mais em livros para jovens com personagens gays. A Intrínseca lançou Simon vs. A Agenda Homo Sapiens, a Editora Leya, One Man Guy e a Seguinte, Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo.

David Levithan, publicado pela Galera Record, é o primeiro autor de livros jovem adulto a emplacar uma trama gay na lista do New York Times. Será que estamos presenciando uma postura menos preconceituosa do mercado literário?

Em Apenas um Garoto, conhecemos Rafe, um jovem de 16 anos que saiu do armário para os pais quando cursava o oitavo ano. No ano seguinte, assumiu ser gay para toda a escola, familiares e amigos. O bom é que todo mundo levou numa boa, principalmente os pais, mas com o tempo ele passou a se sentir cansado de ser sempre o garoto gay, quando queria ser simplesmente Rafe.


Ele decide deixar o Colorado para ir estudar na Natick, um internato só para garotos na Nova Inglaterra. Com o intuito de assumir uma nova identidade, Rafe esconde o fato de ser gay para o desespero de seus pais e de sua melhor amiga, Claire Olivia.

Tenho que interromper a sinopse pra dizer que achei tudo isso muito estranho. Rafe tinha tudo o que um garoto gay pode querer. Tinha o apoio dos pais, uma grande amiga que o compreendia e nunca sofreu violência física ou bullying na escola. Mesmo assim, ele resolve voltar para o armário. Mas, ao conhecermos mais o personagem, entendemos o que ele busca (mesmo não concordando com sua atitude).

Se inclinar para sempre significa não ter medo. Enfrentar os desafios, não recuar. Nem sempre faço isso, mas adoro a frase. (pág. 199)
Ao chegar a Natick, Rafe faz amizade com os rapazes do futebol americano, de uma forma que nunca tinha experimentado antes. Na antiga escola, ele tinha um acordo com os atletas: eles o aceitavam no time e ele não os deixava constrangidos. Depois, conhece Albie, seu colega de quarto bagunceiro, e Toby. De cara percebemos que Rafe ficará dividido entre os populares atletas e os losers Albie e Tony, mas o autor vai além disso. Bill Konigsberg promove um debate sobre os estereótipos.

O autor se utiliza de um recurso simples, mas de forma bem eficiente, para mostrar a jornada de autoconhecimento de Rafe. O professor de redação pede para cada aluno escrever um diário sobre quem eles são. Nesses textos, podemos ver como Rafe realmente se sentia antes e compararmos com a sua nova experiência como um garoto hetero, afinal, quem não é assumidamente gay, é hetero (heterossexismo), como diz a sua mãe. A cada texto lido, o professor deixa pequenos recados para Rafe refletir sobre a sua vida e consequentemente nos faz refletir também sobre temas importantes.
Heterossexuais não precisam pensar se estão saindo do armário cada vez que falam. A gente precisa. Pode ser difícil, mas também é por isso que temos que nos assumir. Se a gente não fizer isso, é praticamente impossível ter uma conversa sobre qualquer coisa sem mentir. Não temos escolha, temos? (pág. 244)
É claro que a jornada de Rafe não poderia ser fácil. Ele acaba gostando de Ben, um dos jogadores de futebol. A primeira conversa entre eles no banheiro é hilária. Os dois vão se tornando próximos depois que Rafe fica bêbado numa festa e uma grande amizade surge entre eles. Será que dessa amizade pode surgir um romance?

Um dos melhores livros com personagem gay que já li. O livro tem momentos engraçados, mas consegue emocionar e fazer refletir. Gostei muito de Simon vs. A Agenda Homo Sapiens, mas os personagens são mais bem desenvolvidos e cativantes em Apenas um Garoto

A história é bem realista e convence por tratar os personagens com justiça. Consigo visualizar Rafe como um garoto de 16 anos estudando em um internato só para garotos. Aprendendo a beber e ouvindo os colegas conversarem sobre as garotas. Difícil foi parar de ler. 

Se você tem receio de ler um livro com personagem gay, não se preocupe. O autor trata o assunto de forma leve e apresenta diversos tipos de amor durante o livro.
Os grego eram mais inteligentes do que nós e tinham palavras diferentes para diferentes tipos de amor. Storge é o amor da família. Não é o nosso caso. Eros é o amor sexual. Philia é o amor fraternal. E há a forma mais elevada, Ágape – explicou. - Esse é o amor transcendental, como quando você põe a outra pessoa acima de si mesmo. (pág. 181)
Uma trama inteligente sobre a autodescoberta. Indicado totalmente.
Em março do ano que vem vai ser lançado nos EUA uma continuação: Honestly Ben.








18 comentários:

  1. oi ^^
    eu gostei bastante da leitura desse livro, particularmente eu gosto de livros com personagens lgbt e com esse não seria diferente.
    Seguindo o Coelho Branco

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    1. Valeu pelo comentários Alice.
      Gostei muito de seu blog! Seguindo.
      Beijos

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  2. Eu tô de olho nesse livro desde o lançamento. Das obras que você citou no começo da resenha eu amei "Aristóteles e Dante...". Espero que "Apenas um garoto" seja tão bom quanto. Fisicamente eu já sei que o livro é lindo, espero poder adquirir em breve.

    Abraço;

    http://estantelivrainos.blogspot.com.br

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    1. Oi Rodrigo,
      Tenho Aristóteles e Dante..., mas ainda não o li. Sempre me emprestam um livro e tenho que lê-lo na frente pra poder devolver. Espero ler em breve. Assim como Todo Dia. Já leu Todo Dia?
      Abraços,
      André

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  3. Oiii, tudo bem?
    Fiquei apaixonada por essa obra e realmente adoraria ter a oportunidade de ler, além do mais por causa de um tema que não é tão abordado em todos os livros <3
    Beijinhos

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    1. Oi Morgana,
      Apenas um Garoto é um livro que trata o tema Sair do Armário de uma forma totalmente diferente. Uma história muito bonita.
      Beijos,
      André

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  4. Eu quero muito ler esse livro, mas confesso que estava com um pouco de receio de ele cair numa espécie de Clichê ao contrário... quer dizer, ninguém quer um rótulo (seja ele qual for), mas se passar por algo que não é não é exatamente o que os gays não assumidos fazem para não ganhar um rótulo? Não sei se você conseguiu me entender... mas parece que o autor soube conduzir muito bem a história.
    Não li os livros citados - só os do Levithan e adoro o autor!!!! - então espero gostar desse :)
    Beijinhos,
    Lica
    Amores e Livros

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    1. Oi Lica,
      Entendi o que você quiz dizer é é exatamente essa questão que o autor trabalha durante essa experiência do Rafe.
      Se você adora os livros do Levithan, acredito que vais gostar muito desse também.
      Beijos,
      André

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  5. Nunca tinha ouvido falar desse livro, mas gostei bastante da premissa. Me lembrou algum filme do qual não recordo. E, sim, creio que o mercado literário está cada vez mais se abrindo a temáticas jovens e que até bem pouco tempo ficavam à margem da sociedade.

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    1. Oi Mia,
      Ainda bem!
      Obrigado pela visita e comentário.
      Beijos,
      André

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  6. eu curto literatura LGBT mas prefiro os romances mais viscerais...mas acredito que para um público mais jovem, que gosta mesmo do gênero YA, o livro vai encantar com sua premissa...
    bjs... ^^

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  7. Olá, gostei muuuito da sua resenha! Tenho vontade de ler esse livro justamente por abordar essa questão dos esteriótipos, é um tópico interessante para se refletir.

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  8. Olá,
    Ainda não li a obra, mas estou bem curiosa pois tenho visto muitas críticas positivas acerca do mesmo.
    E com sua resenha não foi diferente e o que me animou ainda mais é você dizer que é o melhor livro que já leu com personagem homossexual.
    Fiquei bem curiosa para saber o que realmente Rafe quer e como tudo irá se desenrolar com o jogador de futebol.
    É muito bom saber que o livro consegue abordar a temática de forma divertida e ainda assim nos fazer refletir.

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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  9. Vi muitos comentários positivos sobre esse livro, e o enredo parece muito com o tipo de livro que eu gostaria de ler. Com certeza vai estar na minha lista de leitura neste fim de ano.

    http://laoliphant.com.br/

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  10. Adoro livros com temática gay, até por que sou um ambulante.rs. Adorei esse personagem e de ele tentar assumir uma nova personalidade, isso deixa o leitor instigado para tudo que irá acontecer com ele nessa nova escolar. Quer ler e muito.

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  11. Oii!

    Já faz um tempo que ele está na minha lista, e depois da sua resenha me bateu uma vontade de ir na Saraiva comprar logo haha

    Beijos!

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  12. Olá!
    Adorei a resenha!
    Li esse livro há alguns meses e simplesmente amei. Concordo com você, eu também não concordei com ele (de início) por querer ir para outra escola quando ele queria tudo que um garoto gay poderia querer. Mas acabei entendendo o lado do personagem, haha!

    Beijos
    http://www.mundoinvertido.com/

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  13. Olá, tudo bem?
    Nunca havia ouvido falar desse livro, acredita? Já tinha visto a capa dele por aí, claro, mas nem sinopse eu tinha lido. Fiquei bem curiosa para saber porque o personagem voltou pro armário. Anotei o livro aqui para ler futuramente.
    Abraços.

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