Ler em Inglês ou em Português, eis a questão [Drops]

18 de ago de 2016

Sempre achei que não daria conta de ler um livro em inglês, apesar de ter uma boa base na língua.

Quando terminei de ler Sussurros ao Luar, o quarto e penúltimo livro da saga Acampamento Shadow Falls, de C. C. Hunter, descobri que o quinto volume ainda não tinha sido lançado no Brasil. Não consegui esperar o lançamento para descobrir o que aconteceria com Kylie após... ok, sem spoilers!

Comprei Chosen at Nightfall (traduzido para Escolhida ao Anoitecer) em e-book e comecei a ler através do Kindle. As Dicas de Vocabulário e os dicionários ajudaram bastante para chegar ao término dessa excelente série de fantasia e romance.

Mesmo sabendo agora que sou capaz de ler um livro em inglês, ainda prefiro ler em português porque consigo ter uma imersão maior e me envolver mais com os dramas dos personagens. Por isso, não entendia por que alguns leitores preferem ler em inglês.

Foi quando assisti ao vídeo Book Talk: Quando Leio em Inglês, de Paulo Ratz do canal Livraria em Casa, que entendi mais sobre a diferença existente entre as duas versões. Segundo Paulo, ele costuma se perguntar se é possível a história ser infantilizada na tradução. Quando ele percebe que um livro Young Adult é mais "Young" do que "Adult", prefere ler em inglês. Faz todo o sentido, mas ainda não havia tido a oportunidade de confirmar a teoria dele. Se você ainda não conhece o canal do Paulo Ratz, vale uma conferida! 

Outra experiência que tive em ler um livro em inglês foi com a série Lux. A editora Valentina lançou Obsidiana, primeiro volume da série aqui no Brasil e me interessei pela história. Quando fui comprar o e-book, vi a versão em inglês de graça na Amazon. De graça até injeção na testa, não é mesmo? Adorei o livro e fui impulsionado a ler os seguintes que na época ainda não tinham sido lançados por aqui. Foram 5 livros e um "prequal" em inglês.

Minha amiga Aline Polido, do blog Memórias Literárias, pediu pra eu fazer a resenha do segundo livro da série Lux. Ônix é um dos lançamentos da Editora Valentina para este mês. Finalmente, tive a oportunidade de comparar a mesma história na versão original com a versão nacional e apesar da tradução da Buna Hartstein ser excelente, tenho que concordar com a opinião do querido Paulo Ratz.

São duas culturas diferentes. Um adolescente de classe média americana, de 17 anos, já está decidindo em qual "College" vai estudar. Normalmente, vão morar sozinho em outra cidade ou em outro estado. Aqui no Brasil, um adolescente da mesma idade, apesar de também estar indo para a faculdade, continua morando com os pais. Somos uma sociedade onde o instituto Família é mais forte, talvez pela religião católica ser mais predominante, mas isso é uma outra história. Os adolescentes americanos são obrigados a enfrentar a vida mais cedo do que nós, brasileiros. Acredito que por isso acabam infantilizando um pouco a história durante a tradução. Em inglês, os personagens de Ônix parecem ser mais maduros do que na versão brasileira.

Outro detalhe chamou a minha atenção. Daemon costuma chamar Katy de Kitten, que costuma deixá-la bem furiosa, já que o seu pai costumava chamá-la assim. Kitten, em inglês, significa Little Cat, gata pequena. Mas, ao ser traduzido para Gatinha, fica estranho porque Gatinha em português significa outra coisa. Tem uma conotação mais sensual. Acho que essa não era a intenção do pai de Katy.

Esse debate vai continuar existindo e, no final, o que importa é você ler boas histórias. Não importa se em inglês ou em português. Não há escolha certa ou errada. No meu caso, continuarei a aproveitar boas oportunidades e também lerei em inglês quando não conseguir esperar os próximos capítulos de uma série.

Um que já está aguardando para ser lido é Finding Cinderella, da Colleen Hoover.

Boas Leituras!

4 comentários:

  1. Ownnn!! Brigado por entender meu ponto!! Que bom que você conseguiu visualizar isso na prática! E não adianta, ler em inglês sempre é complexo no começo, mas depois você vai se acostumando cada vez mais. As vezes termino de ler um capítulo em inglês e vou fazer outras coisas, quando penso sobre o que aconteceu, eu revivo a história como se tivesse lido em português de tão natural que já é! Depois que caio na real que na verdade eu li aquilo em inglês!
    Enfim! Arrasou no texto, concordo 100% com você!

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    1. Quanta felicidade receber um comentário positivo seu! É legal mesmo quando a gente se envolve na história e esquece que estava lendo em inglês.

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  2. Muito legal o seu texto André!
    Até agora só li um livro inglês e estou lendo o segundo atualmente...
    Acredito que pra quem pode, é uma experiência bem legal, você vê umas diferenças sim...
    Eu na verdade me surpreendi em conseguir ler um livro em inglês (já que meu nível na língua não é lá essas coisas) e percebi que ao pegar o segundo, mesmo sendo com uma linguagem ligeiramente menos fácil, já percebi evolução na capacidade de compreensão.
    Amei o post!

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    1. Obrigado, Lai. Também acredito que a capacidade de compreensão vem com a prática.

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